MESMO SEM BLOQUEIO, TERMINAIS DE CONTÊINERES EM SANTOS SEGUEM SEM OPERAR CAMINHÕES

Dimmi Amora, da Agência iNFRA


A terça-feira (2) voltou a registrar número muito baixo de movimento de caminhões para levar e buscar contêineres dos maiores terminais portuários do tipo no Porto de Santos (SP), o maior do país.

Conforme a Agência iNFRA informou em alerta via aplicativo na segunda-feira (1º), praticamente não houve movimento de caminhões naquele dia, situação que voltou a acontecer na terça-feira, de acordo com a diretoria da Abratec (Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres). 

O Sindisan (Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Carga do Litoral Paulista), que representa mais de 100 empresas transportadoras, divulgou nota afirmando que os trabalhadores estavam sendo ameaçados se transportassem cargas na região do porto. Policiais têm feito escoltas para garantir a segurança dos transportadores que estão trabalhando, mas isso não resultou em aumento do volume de movimentos nos terminais de contêineres na terça-feira.

Há tentativas de mobilização de grupos de caminhoneiros da região, divulgadas em vídeos pela internet, mas em que eles mesmos reclamam da falta de adesão. A expectativa é de uma volta hoje (3) à normalidade dos movimentos de caminhões no porto.

Se isso acontecer, os terminais têm informado aos representantes dos órgãos públicos que têm capacidade de, com remanejamentos internos realizados, não haver grandes prejuízos à operação dos navios, que seguiu normal nos dois dias em que não houve movimento dos caminhões. 

No entanto, se houver mais do que 72 horas seguidas sem receber caminhões, as operações dos navios podem ser prejudicadas, num momento em que já há problemas para a operação de contêineres em todo o mundo desde o início da pandemia da Covid-19, com registros de atrasos e demora nas entregas.

Em Salvador (BA), também é praticamente nulo o movimento de caminhões para o terminal de contêineres. Em outros terminais de contêineres pelo país, houve uma redução no movimento de caminhões, mas ainda não é possível avaliar, de acordo com representantes de empresas e entidades que falaram com a Agência iNFRA, se em decorrência do feriado ou se por algum efeito da convocação de paralisação de caminhoneiros.

Baixa mobilização nas estradas
Apesar do problema em Santos, a paralisação convocada por entidades de caminhoneiros autônomos não conseguiu, mais uma vez, fazer bloqueios em rodovias pelo país. As transportadoras, que operam a maior parte dos caminhões do país, seguem sem apoiar o movimento. 

Nos últimos dois dias, quando se esperava uma adesão a esse tipo de manifestação por parte das lideranças de autônomos que convocaram os protestos, praticamente não foram registrados bloqueios em rodovias e o número de pontos de manifestação foi pequeno.

Mesmo sem apoiar paralisação, as transportadoras vêm alertando o governo sobre aumentos de custos nos últimos meses. Em nota, o presidente do Sintropar (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Oeste do Paraná), Antonio Ruyz, disse que o diesel é parte vital para as atividades das transportadoras, sendo responsável por cerca de 50% do faturamento das operações.

Greve na estiva
Além do movimento dos caminhoneiros, o governo deverá enfrentar uma outra categoria que começa a se mobilizar para paralisações nos portos, os estivadores.

O presidente da federação da categoria, José Adilson Pereira, enviou áudio aos representantes de sindicatos em todo o país convocando para uma mobilização contra o Projeto de Lei 3.771/2021, do deputado Julio Lopes (PP-RJ).

A proposta retira a exclusividade dos OGMOs (Órgãos Gestores de Mão de Obra) para apresentar trabalhadores portuários aos terminais, o que passou a ser previsto na Lei 12.815/2012. Segundo ele, a mobilização poderá resultar em greve para evitar que o projeto seja votado.